O poder do Ego na criação da sua realidade - Carlos Veiga JR.
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poder do ego

O poder do Ego na criação da sua realidade

O poder do Ego na criação da sua realidade

O poder do ego é enorme na sua vida. A mente ego tem um enredo próprio e persistente que não contempla o momento atual, para o ego, o agora é um estorvo, um momento inadequado, já deveria ter terminado e já deveríamos estar fazendo outra coisa, por certo mais produtiva ou agradável.

Quando treinamos a mente para estar atenta ao que está acontecendo, -a função para qual ela foi criada- descobrimos como estamos dominados pelo enredo egóico de forma hipnótica.

Estes enredos são informações de dramas familiares armazenadas na mente inconsciente, como sementes esperando para germinar. Sabemos que em 1m cúbico de terra existem pelo menos mil sementes aguardando as condições adequadas para brotar.

O sofrimento humano não está na informação contida no inconsciente e sim na forma como interpretamos estas informações.

A inércia da mente faz com que as sementes de conflitos ancestrais procurem a luz para encontrar a solução que os antepassados não foram capazes de encontrar.

O poder do ego e as emoções

O inconsciente busca tornar-se consciente. Nossas reações emocionais são impulsos evolutivos essenciais e indispensáveis, pois, sem as emoções não conseguiríamos nem mesmo nos mover. Quando falamos de emoções é bom lembrar que são 5:

  • raiva;
  • tristeza;
  • medo;
  • alegria;
  • asco;

Lembrando que elas não são próprias dos seres humanos, sendo encontradas em todos os mamíferos.

A auto-indagação nos permite uma pausa no turbilhão de pensamentos da mente (algo em torno de 60 a 70 mil/dia), nos colocando em contato com uma energia subjacente, silenciosa e amorosa, que é a essência da nossa verdadeira identidade, nosso EU superior, sem forma, eterno, impecável e indestrutível.

À medida que vamos reinterpretando de outro modo os velhos hábitos, percebemos mudanças sutis, pois, nada ocorre do dia para a noite. A  natureza não dá saltos.

A mente pode carregar um drama por horas; dias; semanas; meses; anos ou décadas. É incrível a capacidade da mente de perpetuar velhas feridas como forma de corromper o momento presente.

Quando criamos uma distância emocional entre o fato, e a nossa interpretação do fato, podemos soltar os pensamentos tóxicos com muito mais rapidez, em 2 ou 3 minutos.

O ego e os pensamentos

É importante notar que interromper os pensamentos não é o mesmo que reprimi-los. A repressão é uma negação do que está acontecendo e isso só enterra os pensamentos onde eles podem apodrecer. Ao mesmo tempo, a ideia aqui não é ficar perseguindo os pensamentos e ser fisgados por eles.

Interromper os pensamentos fica num ponto entre segurar-se neles e afastá-los, é como a pausa que acontece entre a inspiração e a expiração, um espaço interior de reflexão e encontro consigo mesmo.

É um modo de permitir o ir e vir dos pensamentos, que surjam e passem, para que seja possível perceber que não tem o valor que frequentemente damos a eles.

A prática consiste em treinar a mente a não seguir os pensamentos, como se fosse um cachorro correndo atrás de um osso que jogamos. Não há como nos livrar dos pensamentos, mas podemos experimentar momentos de silêncio interno cada vez maiores, essa é a natureza da mente. Entretanto, não é necessário fazer dos pensamentos nossos vilões. Basta treinar a mente para retirar a força dos ataques mentais e interromper seu impulso.

A mente deseja seguir seu enredo condenatório, que está associado à zona de conforto representada pelo medo, oferecendo a falsa  promessa de segurança e felicidade, obviamente temporárias, até que outro pensamento de ataque e ameaça volte a surgir.

Nossos pensamentos são o mundo de fantasia que nos distrai. Quanto mais nos desidentificarmos deles, mais próximo estaremos da nossa verdadeira identidade. É a observação consciente dos processos mentais que nos permite manter uma distância emocional entre um eu confuso e distraído, de um EU que observa em silêncio e sem julgamentos.

A mente tem uma tendência de lutar por segurança, e sempre tentará reafirmar-se e ganhar terreno. Não podemos subestimar o verdadeiro, e fugaz, conforto que o medo nos proporciona.

A Fonte Criadora

Buda encontrou-se muitas vezes com Mara, um demônio mental que estava sempre para tentá-lo à desistir de sua resolução espiritual e a voltar ao seu antigo modo inconsciente de ser.

Psicologicamente, “Mara” representa para todos nós a falsa promessa de felicidade e segurança oferecida por nossas crenças mais enraizadas em uma mente identificada com o corpo. Sempre que Mara aparecia Buda dizia: “eu o vejo, Mara, sei que você é um embusteiro, sei o que está tentando fazer, em seguida convidava seu demônio para se sentar-se e tomar um chá.

Quando somos tentados a seguir os devaneios da mente, podemos nos tornar os observadores conscientes dos pensamentos e dizer “Eu o vejo Mara”, e depois liberar-nos da prisão dos julgamentos de certo ou errado.

Os seres humanos são o que chamamos de gerúndio, estamos em eterna construção, somos seres inacabados e em transição, que não estão inteiramente cativos nem inteiramente livres, mas em um processo de despertar, uma constante evolução.

Não estamos condenados nem completamente livres, estamos constantemente criando futuros potenciais com cada palavra, cada ato e cada pensamento, um poder inimaginável!

Somos apoiados pelo amor incondicional da Fonte Criadora para tudo que necessitamos no processo de acordar do sonho em que estamos -somos o sonho e o sonhador- Viemos a este mundo com todos os recursos necessários para despertar.

Ao invés de levar uma vida de resistência tentando rejeitar nossa situação de impermanência e constante mudança, poderíamos aceitar o que é, exatamente como é. Não gostamos de pensar em nós mesmos como fixos e imutáveis, mas emocionalmente investimos nisso. Nós simplesmente não queremos o desconforto assustador e inquietante de nos sentirmos vulneráveis, e por essa razão, seguimos usando o medo como bússola, criando hologramas cada vez maiores de violência.

A natureza da mente

A verdadeira natureza da mente é tão vasta quanto o céu e, os pensamentos são como nuvens que o escurecem. Se queremos experimentar a infinitude do céu, precisamos ficar curiosos a respeito dessas nuvens, investigá-las, sacudir os cimentos estruturais das crenças que estão por trás de cada um destes pensamentos. Quando olhamos por entre as nuvens, lá está a vastidão do céu, a verdade mantida à parte da mentira que sempre esteve ali, momentaneamente oculta de nós por nuvens de pensamentos delirantes.

A jornada do despertar requer disciplina e coragem. A princípio, investigar os pensamentos e emoções é desconfortável, parece que é uma coisa a mais que “temos que” fazer, mas depois de poucos dias de treinamento, torna-se um hábito. Investigar nossas crenças dói e incomoda, mas continuar cegos e dominados por elas dói muito mais.

Pensamentos e emoções podem nos dificultar o contato com a abertura de nossa mente, mas são como velhos amigos que nos acompanham desde quando nossa lembrança alcança e ficamos muito resistentes a nos despedir.

Talvez sejamos capazes de experimentar o silêncio mental por apenas dois ou cinco segundos hoje, mas qualquer progresso em direção à nossa essência é positivo. Podemos ficar abertos e receptivos, nem que seja por um curto período de tempo, começando a interromper nossas justificativas para não sentir o que estamos sentindo. Acreditar no enredo é algo profundamente arraigado em nós.

Declaramos nossas opiniões como se fossem indiscutíveis: “Luiz é um cara desagradável, isto é um fato.” “Luiza é muito cativante”, não há nenhuma dúvida quanto a isso”

Assumimos como sendo verdade aquilo que acreditamos, simplesmente porque acreditamos, sem nenhuma investigação ou observação rigorosa. O modo de enfraquecer o hábito de se agarrar as ideias fixas é cultivar a humildade e a honestidade de dizer NÃO SEI. Quando usamos este recurso imediatamente nos ocorre uma abertura de consciência e podemos mudar o foco para uma perspectiva mais ampla.

Ampliando a consciência

Em vez de ficarmos presos aos dramas do passado, como se não fosse possível deixá-los, focamos nossa atenção em sentir a energia dinâmica dos pensamentos e emoções, reconhecendo -o que- cada pensamento tem a ver com a crença que o originou.

É um treinamento mental que podemos aplicar dezenas de vezes ao dia, observar a qualidade dos pensamentos, o modo como eles surgem e desaparecem, alguns com muita facilidade e outros com muita dificuldade. Qual a diferença entre uns e outros?

Quando não reprimimos os pensamentos e emoções e simplesmente nos tornamos observadores conscientes assumimos uma posição interessante. A posição de não rejeitar nem justificar. É desta posição que finalmente podemos abraçar o que estamos sentindo e ver o quanto somos impecáveis, exatamente como a fonte que nos criou.

A mente busca lembranças de coisas angustiantes que ocorreram no passado, recria no presente algo que não lhe interessa mais porque acredita que pode ser útil em suas defesas. Observar tudo isso pode ser muito libertador.

Mas, quando recorremos à memória de algo angustiante no passado, reprocessando o que aconteceu, ficaremos obcecados com o enredo, e ele se tornará parte da nossa identidade estática, uma rigidez mental.Estaremos fortalecendo a propensão a nos experimentar como ofendidos, as vítimas. Estaremos fortalecendo uma propensão pré-existente de culpar os outros, nossos pais, filhos, maridos, mulheres, vizinhos, governos, etc como  se eles tivessem nos tratado injustamente.

Continuar a reciclar o velho enredo de medo é um modo de evitar a paz e a calma do momento presente, um truque da mente que não deseja mudanças. As emoções tomam conta do corpo, quando as abastecemos com pensamentos, sentimentos e palavras. É como jogar gasolina em uma fogueira. Sem as palavras mentais ou verbais, e sem os pensamentos repetitivos, as emoções não duram mais que um minuto e meio, dois no máximo.

Nossa identidade, que parece tão confiável e tão concreta, na verdade, é muito fluida, muito dinâmica. As possibilidades do que pensamos e sentimos e o modo pelo qual podemos experimentar a realidade são ilimitados.

Libertando do sofrimento

Temos tudo que é necessário para nos libertar do sofrimento desta identidade fixa e nos conectar com a natureza flexível e maleável do nosso Ser.

A percepção que temos de nós mesmos é uma versão muito restrita de quem realmente somos.

Mas a experiência atual de quem você parece ser nesse momento, pode ser usada como porta de entrada para sua verdadeira natureza sem forma, eterna e impecável, através da atenção plena e do envolvimento total com esse instante relativo do tempo que chamamos de AGORA. O som que é possível ouvir, o cheiro que é possível sentir, a dor ou conforto que aparece neste preciso e precioso instante.

Todos os nossos padrões habituais são esforços para manter uma identidade previsível, é uma tentativa de ser, neste momento, uma cópia borrada do que fomos um momento atrás, ou anos atrás. É manter uma ideia fixa e estática quando somos a manifestação das mudanças em si mesmas, todos os processos biológicos são de mudança constante.

Quando colocamos qualquer adjetivo depois da expressão “Eu sou” nos apequenamos, porque não somos nada do que imaginamos, somo a totalidade e só nos interessa reconhecer o que somos.

Podemos interpretar os pensamentos e sentimentos incômodos como sinais de perigo, mas, na verdade, são sinais de que acabamos de entrar em contato com a fluidez essencial da vida, tudo que sentimos faz parte de nós.

Ao invés de nos escondermos desses sentimentos, ficando na bolha de medo do ego, podemos deixar ir todas as mentiras que criamos de como pensamos que as coisas são, e o que sobrará é a verdade de como as coisas realmente são, são grandes oportunidades de desenvolvimento humano e espiritual.

Ao sentirmos a inquietude surgindo na superfície da consciência podemos simplesmente respirar e encarar os sentimentos com a responsabilidade de quem os está sentindo por alguma razão positiva, ainda que o momento não permita ver.

Não é preciso entrar em pânico quando algo não acontece da forma que esperávamos, não é preciso reagir de modo condicionado seguindo a inércia da mente justificativa, nem é preciso lutar contra ou a favor a nada, apenas reconhecer o que estamos sentindo, respirar a emoção que toma conta do corpo e deixá-la ir.

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