Para viver você precisa morrer - Carlos Veiga JR.
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Para viver, você precisa morrer

Para viver você precisa morrer

Para viver você precisa morrer

Nós somos os heróis da nossa própria vida, é disso que se trata nossa jornada na Terra.

Todas as culturas tentaram transmitir a informação do renascimento como etapa imprescindível na evolução de qualquer indivíduo. Segundo Carl G. Jung toda criança nasce não como uma folha em branco, mas com uma carga de informação ancestral, dramas, neuroses e conflitos a serem resolvidos, caso contrário sempre começaríamos do zero e não haveria evolução.

Toda esta informação não é apenas um fardo pesado que herdamos dos nossos familiares, tampouco uma cruz que Deus nos deu para carregar, é informação para ser transcendida.

Nascemos para transformar informação e dar outro sentido ao que foi experimentado pelas gerações anteriores como doloroso ou trágico. A morte simbólica é uma das formas de executar este trabalho com maestria.

A morte simbólica como complemento indispensável da vida

A morte simbólica é um movimento natural e arquetípico que podemos observar tanto na natureza como em nós mesmos.

Na respiração por exemplo, há um instante de apneia onde não há inspiração nem expiração, o mesmo acontece com as batidas do coração, entre a sístole e a diástole onde ocorre um instante de imobilidade, ainda que curto e imperceptível.

Estes momentos podem servir de símbolos de contínuas oportunidades de “começar novamente”.

É unicamente o medo que nos mantém presos ao que temos, pensando que nada de novo chegará.

Se uma árvore tivesse medo de soltar suas folhas nunca poderia florescer em todo seu esplendor a cada primavera. Tudo que vive necessita deste momento de repouso dessa “morte” para poder renascer e seguir evoluindo.

A morte simbólica nas relações autênticas

Alguém já disse que não vemos o mundo como ele é, vemos o mundo como nós somos. Muitas vezes vemos as pessoas não como elas realmente são, vemos como entendemos que foram; olhamos para o passado para avaliar o presente.

Vemos as pessoas através de uma imagem criada a partir da nossa percepção e interpretação, julgamentos feitos com base no passado, desconsiderando o fato de que tudo está em constante mutação e que as pessoas mudam constantemente.

Isto é o que nos impede de apreciar a verdadeira natureza das pessoas que temos diante de nós.

Quando estamos dispostos a fazer o exercício de perceber os demais a partir do instante presente, deixando que seu passado desapareça e fique apenas como informação valiosa, porém, não como identidade real, poderemos ver seu “renascimento”, e com este também o nosso.

A morte como catarse

Vivemos uma vida condicionada por nossa identidade, isto engloba família, crenças, trabalho e inclusive nossas aflições.

Quando o personagem que criamos nos causa sofrimento é porque estamos tão apegados a ele que nos apequenamos até desaparecer. Por isso é tão importante considerar sempre a possibilidade de começar do zero a qualquer momento da vida.

Somos nós mesmos os únicos que nos transformamos em obstáculos para recomeçar e nos tornar outras pessoas no mesmo corpo. Trata-se de escolher entre estar morto em vida, como a maioria de nós vive, ou “morrer” para começar a viver.

Há um símbolo muito conhecido da maioria neste sentido que é a linda ave Fenix.

Esta é uma decisão que vem com a tomada de consciência e que só a própria pessoa pode tomar, porque só diz respeito a ela mesma, não está vinculada a nenhuma outra pessoa ou circunstância.

A Fênix, é um pássaro da mitologia grega que, quando morria, entrava em auto-combustão e, passado algum tempo, renascia das próprias cinzas.

Outra característica da Fênix é sua força que a faz transportar em voo cargas muito pesadas, havendo lendas nas quais chega a carregar elefantes. Podendo se transformar em uma ave de fogo.

Teria penas brilhantes, douradas, e vermelho-arroxeadas, e seria do mesmo tamanho ou maior do que uma águia. Segundo alguns escritores gregos, a fênix vivia exatamente quinhentos anos. Outros acreditavam que seu ciclo de vida era de 97 200 anos.

No final de cada ciclo de vida, a fênix queimava-se numa pira funerária. A vida longa da fênix e o seu dramático renascimento das próprias cinzas transformaram-na em símbolo da imortalidade e do renascimento espiritual.

Os antigos gregos criavam e contavam esta história com o propósito de que cada pessoa se tornasse uma Fênix em sua vida, morrendo para uma informação e renascendo para outra.

A morte simbólica na Mitologia

Além das muitas referências de Freud e Jung através da psicanálise, Joseph Campbell estudou como a morte simbólica é encontrada em praticamente todos os grandes mitos das principais culturas, gregos, zulus, esquimós, irlandeses, alemães, egípcios, romanos, etc.

O que todas estas culturas tem em comum é que seus heróis mais importantes morrem em um determinado momento de seu caminho.

Não é por acaso que todos estes heróis tenham tido a mesma sorte. O que todas estas tradições tem como objetivo é transmitir a mensagem de que a morte simbólica é uma parte indispensável no caminho de qualquer herói.

Nas palavras de J. Campbell: “A imagem do ventre da baleia constitui um símbolo universal de transito através de um limiar mágico no qual o herói em vez de reconciliar-se com seu poder, é literalmente engolido pelo desconhecido e parece morrer, para terminar renascendo mais adiante.

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