Para que não consigo emagrecer? - Carlos Veiga JR.
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não consigo emagrecer

Para que não consigo emagrecer?

Não consigo emagrecer. Para que isso ocorre comigo?

Muitas vezes a pessoa pensa: “Por que não consigo emagrecer?”. Na verdade, a pergunta que deve ser feita é “Para que não consigo emagrecer?” Para que possamos entender este tema tão complicado e controverso vamos voltar no tempo, ao início da vida na Terra e, paralelamente ao início da vida intra uterina.

Após a fecundação o ovo ou zigoto passa por um período muito “difícil” onde não há alimento exceto as reservas que estão contidas dentro do citoplasma de uma única célula. Até que se implante no saco vitelino, o que acontece por volta do décimo dia, todos nós vivemos sós, independentes, com nossas próprias reservas e, sem nenhuma garantia de que encontraremos alimento.

Durante os estágios iniciais da vida, antes de se implantar no endométrio e dali retirar o que necessitamos, passamos pelo primeiro “estresse” de possível carência.

Um embrião humano em suas primeiras semanas é igual a qualquer embrião seja ele de aves, répteis ou peixes, porque guardamos no DNA a memória de como a vida começou neste planeta. No princípio só havia seres unicelulares e estas células únicas originaram a inteligência que usamos hoje. É a inteligência da manutenção e perpetuação da vida em forma biológica.

Não consigo emagrecer: o papel do cérebro

Frequentemente, eu não consigo emagrecer porque ganho peso corporal ou passo a reter líquidos, causando o aumento em número e tamanho das células do tecido gorduroso. Para que isto aconteça é necessário que o cérebro tenha reconhecido que esta é a melhor solução numa situação de estresse.

O que está em jogo são programas arcaicos de adaptação ao meio terrestre, reações aprendidas ao longo da evolução humana. Não são soluções racionalizáveis, são sutilezas do inconsciente incompreensíveis do ponto de vista do raciocínio consciente.

Como exemplo poderíamos citar o caso de uma mãe que perde um filho precocemente, começa a acumular gordura em volta do abdômen e reter líquidos no corpo como se estivesse grávida novamente. Essa reação não é racional, é biológica.

Nosso cérebro não tem capacidade de julgar e nunca discrimina, não distingue real de imaginário, virtual ou simbólico.

Mas nem sempre o aumento de peso corporal tem a ver com acúmulo de massa gorda ou simplesmente gordura corporal. Tanto do ponto de vista evolutivo como do início da nossa vida intrauterina todos viemos da água. A retenção de líquidos como mecanismo de proteção criado pela natureza entra em cena na maioria das vezes e é confundido com aumento de gordura.

Visualmente não há diferença, ficamos grandes e é só isso que importa. Para o inconsciente, se aparento ser grande estou mais protegido e não importa se com água ou gordura.

Simbolicamente, água tem a ver com liquido, e liquidez tem a ver com dinheiro. As vezes a desproteção vem de um conflito de: “se não guardo dinheiro, morro” que traduzido para a biologia quer dizer: “guardo água para não morrer”.

Como não tenho dinheiro, ou penso que não tenho o suficiente, guardo líquidos. Um corpo pode reter 20, 30 ou mais litros de líquidos ao longo de anos. Nossa biologia não sabe nada de modernas sociedades. São inúmeras as situações do cotidiano em que nos sentimos perdidos, ameaçados e abandonados. Muitas vezes não são ameaças reais, mas as  experimentamos e vivemos como se fossem.

O conflito da silhueta

Há um fator muito importante a ser levado em conta, quando não consigo emagrecer, que é o conflito de silhueta.

O conflito de silhueta é uma desvalorização estética que dá origem a uma reação orgânica, interferindo diretamente com a produção dos hormônios produzidos pelo pâncreas, a insulina e o glucagon. A insulina é o hormônio responsável por quebrar os açúcares, transformá-los em glicogênio e armazená-los de várias maneiras, no fígado, nas fibras musculares e sob a forma de gordura corporal.

O glucagon por sua vez é o hormônio que faz o trabalho oposto ao da insulina. Ele é o responsável por retirar o glicogênio que foi armazenado nas células, transformando-o em glicose, o combustível das células.

Quando não estamos satisfeitos com nossa aparência corporal, o pâncreas produz menos glucagon, o que faz com que a gordura não seja transformada em açúcar e permaneça estocada nas células do tecido adiposo.

O asco, a repugnância e o rancor são emoções e sentimentos que estão ligados às células alfa do pâncreas, justamente as que produzem glucagon. Quanto mais rejeição com a aparência, menos glucagon, logo, menos gordura é usada.

É a autodesvalorização em relação a parte do corpo julgada como feia.

O conflito de silhueta funciona de maneira paradoxal. A parte que não nos agrada visualmente por conter mais gordura é a que recebe mais ataques mentais. Se nos sentimos atacados por estar gordos, a própria solução é não baixar de peso como uma defesa.

Em geral, ser grande é uma solução para a sobrevivência. Quando estamos perdidos, quanto maior formos, mais chance de sermos encontrados. Inchar-se ou aparentar ser maior é um recurso para intimidar os inimigos ou possíveis predadores, por esta razão alguns animais eriçam os pelos. Este também é um recurso para aumentar as chances de ser o escolhido pelas fêmeas, como por exemplo o pavão.

O corpo é o local onde estocamos provisões, o inconsciente biológico não sabe de estratégias mentais de defesa e nem de raciocínios. Por sorte, age sempre em nossa defesa, ainda que seja nos tornando grandes e gordos.

O que diz o Gerenciamento BioEmocional

Do ponto de vista do Gerenciamento BioEmocional, o sobrepeso ou obesidade tem a ver com conflitos estruturais de abandono, separação, desproteção e falta de referentes.

Levamos em consideração múltiplos fatores como: viúvas jovens na família;  separação dos pais; perda de território real ou simbólico como parceiros, maridos ou namorados; perdas financeiras;  perda de emprego/trabalho; imigração e mudanças inesperadas de direção, onde estas circunstâncias sejam vividas de forma dramática, repentina, não expressada e sem solução aparente.

Na natureza, abandono, desproteção e perda de referência significa morte, porque uma cria deixada para trás torna-se presa fácil.

Quando falamos de abandono, estamos nos referindo às circunstâncias reais ou simbólicas onde sentimos necessidade de guardar alimento e água para atravessar momentos difíceis, como se estivéssemos perdidos em um deserto, floresta ou savana. Acumulamos reservas energéticas e hídricas para possíveis momentos de carência.

Nossos antepassados das savanas africanas eram conhecidos como caçadores-recolectores e viviam estritamente da atividade diária de caçar e recolher frutos, sem possibilidade de estocar. Hoje podemos encontrar em um supermercado tudo aquilo que necessitamos para nos alimentar. No entanto, nossas reações biológicas são as mesmas daquele passado remoto, ou seja, nossa biologia não conhece açougues ou padarias.

 

2 Comentários
  • Katia Evaristo Galhardo
    Postado às 15:32h, 12 outubro Responder

    Nossa, que artigo sensacional. Posso publicar na minha pagina?

    • Carlos Veiga Jr.
      Postado às 20:53h, 16 outubro Responder

      Olá Katia, tudo bem? Fico feliz que tenha gostado 🙂
      Claro, fique a vontade. Qual é a sua página?
      Abraços

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