As Mulheres têm a capacidade de mudar o mundo - Carlos Veiga JR.
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mudar o mundo

As Mulheres têm a capacidade de mudar o mundo

Penso que o mundo só pode ser transformado pelas mulheres. Antes de mais nada, gostaria de expressar meu profundo respeito e admiração pelas mulheres. Todas de uma maneira geral, sobretudo aquelas que em um dado momento se põem a parir.

Afinal, são elas que determinam como vão ser os homens, suas condutas, condicionamentos e formas de comportamento. Nos três primeiros anos de vida todos nós estamos 100% vinculados à elas, vivendo todas as sensações, sentimentos e emoções que elas vivem, imersos em um tanque simbólico onde as vibrações são sentidas em conjunto.

Todavia, esta relação tão santa e sagrada entre mãe e filhos foi transformada em dor, sofrimento, culpa e vitimismo, pela perpetuação de um sistema de pensamentos que passa de geração em geração através das próprias mães, que foram e estão condicionadas por estes sistemas familiares e social vigentes, oriundos dos homens, notadamente os brancos.

As mães criam seus filhos de uma maneira e suas filhas de outra. Entendendo que isto é o correto, já que é assim há séculos, perpetuando um sistema que transformou as mulheres em cidadãos inferiores. De acordo com o cristianismo, quando uma mulher dá a luz a um menino ela deve ficar 40 dias isolada, em quarentena porque está impura, porém, se dá a luz a uma menina, deve ficar 80 dias em quarentena, porque?

No judaísmo ortodoxo os homens oram pela manhã agradecendo por não ter nascido mulher, e sobre o islamismo nem é necessário falar.

As religiões ensinaram as mulheres a ser virgens, esposas, mães, cuidar dos filhos, servir e obedecer os maridos, aceitando deles o que vier, distorcendo propositalmente as leis naturais de igualdade de gêneros para que o sistema dominante fosse o paternalismo com sua cara mais perversa, o machismo.

Isto foi praticado por séculos e tem suas sequelas experimentadas nos dias de hoje. Tudo isso tirou a mulher de seu centro, desequilibrou os papéis biológicos e propiciou ao machismo ser o sistema de crenças dominante.

Em vocês mulheres está toda chance da humanidade despertar deste estado de sonolência. As mulheres tem as chaves do segredo, é a elas que todos nós estamos definitivamente ligados.

Nas mulheres está a chance que temos de sair deste sistema opressor. Criar os filhos em igualdade é começar a respeitar as próprias mulheres e dar a elas o protagonismo da mudança.

Criá-los com desigualdade é assinar um atestado de vítima. Quando isto acontece, o universo imediatamente se organiza para que as mulheres experimentem ser vítimas.

Hoje se comemora o dia das mulheres, mas será que esta homenagem deve se restringir a um único dia do ano, não deveríamos comemorar com as mulheres tudo que lhes diz respeito todos os dias?

Vamos pensar na complexidade de ser mulher hoje.

Graças ao feminismo, muitas mulheres foram capazes de ter um grande impacto na cultura patriarcal e, por sua vez, muitos homens foram capazes de reconhecer que é necessário reduzir sua autoridade e desenvolver sua sensibilidade, empatia e receptividade.

O fato de a subordinação feminina existir universalmente e de envolver várias aspectos da sociedade como por exemplo: religião, economia, sexualidade, etc, nos mostra que estamos diante de algo muito profundo que nos convida a refletir: que tipo de igualdade queremos desenvolver?

Homens e mulheres devem ser iguais em direitos e oportunidades; No entanto, isso não implica que eles tenham os mesmos interesses.

“Macho” e “fêmea” não são iguais: são complementares. Um não pode existir sem o outro e juntos eles formam uma unidade.

Inicialmente, todo ser humano nasce de uma mulher e se desenvolve em torno de uma consciência matriarcal. Nesta primeira etapa, infância, crescemos em um mundo dominado por instintos, envolto em sensações, sentimentos e fundidos na identidade de nossas mães. Essa fase nos liga ao meio ambiente e nos dá uma sensação de união.

Mais tarde, para ter consciência de nossa individualidade, precisamos de uma consciência patriarcal caracterizada por ação, vontade, luta e competição. Essa fase nos leva a empreender nossa própria jornada, diferenciada da de nossa família. Ambas as fases são essenciais para desenvolver um indivíduo equilibrado, independente emocionalmente de seu pais.

A energia masculina é essencial para a transição da infância para a idade adulta, tanto em homens quanto em mulheres, uma vez que esta energia nos permite desenvolver a capacidade de liberdade e escolha, bem como a consecução de determinados objetivos. No entanto, uma cultura excessivamente focada nos valores masculinos tende a desacelerar a evolução natural das virtudes tipicamente femininas, absolutamente essências para um indivíduo ou uma sociedade equilibrada.

É importante para homens e mulheres perceber que o equilíbrio e a igualdade de gênero que queremos ver no mundo devem ser precedidos pelo equilíbrio dessas duas energias dentro de nós, o equilíbrio que procuramos fora deve partir de dentro. Nas mulheres está a chave que abre o cofre, elas tem algo que os homens não tem, o poder do discurso quando ainda somos esponjas absorvendo tudo que nos chega.

Vocês mulheres foram as que falaram aos nossos ouvidos enquanto sugávamos o leite que nos alimentava, vocês falaram aos nossos ouvidos para nos adormecer, contando histórias, vocês falaram aos nossos ouvidos quando nosso pai não estava, vocês tem o poder do discurso materno que condiciona toda nossa vida.

Todos nós estivemos em seus ventres. Todos nós temos um homem e uma mulher em nós. Todos nós abrigamos nosso pai e nossa mãe ou, na sua falta, aquela pessoa que para nós representava o pai ou a mãe. A energia masculina e feminina são consideradas os dois pilares da psique humana.

São duas forças ancestrais e arquetípicas que convergem em nós e que, juntas e em harmonia, nos dão a capacidade de enfrentar qualquer circunstância em nossas vidas.

Parabéns mulheres, viemos de vocês, estivemos em seus úteros, convivemos e nos relacionamos com vocês, e sem vocês nem sequer saberíamos o que fazer. O mundo vai reconhecer em vocês a poderosa alavanca de mudança, uma mudança que tende a igualdade respeitando as diferenças.

Muito obrigado mamãe, por ter me emprestado a minha primeira casa, seu útero.

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