Como me livrar da dependência emocional | Carlos Veiga Jr
555
post-template-default,single,single-post,postid-555,single-format-standard,woocommerce-no-js,ajax_fade,page_not_loaded,,qode-title-hidden,qode_grid_1300,columns-4,qode-theme-ver-13.9,qode-theme-bridge,wpb-js-composer js-comp-ver-5.4.7,vc_responsive
apego emocional

Dependência Emocional: como me livrar dessa armadilha

Dependência Emocional: como me livrar dessa armadilha

A dependência emocional cria um vínculo de sofrimento baseado na crença que você depende de outra pessoa para se ser feliz e se sentir bem.

Buda dizia que uma das causas do sofrimento humano é o apego que está relacionado com os desejos e anseios.

O apego surge quando nós gostaríamos que as coisas fossem de uma determinada maneira e não aceitamos que não sejam assim. É um conceito que surge da crença na falta, na carência e na necessidade, baseando-se, portanto, no princípio da escassez.

Além disso, o apego produz efeitos colaterais muito nocivos, porque quando chegamos a ter o que pensamos que nos fará felizes, quando conseguimos as coisas e pessoas com as quais pensamos que estaremos alegres, surge imediatamente o medo de perder o que conquistamos.

Neste sentido, faremos de tudo, chegando aos limites do patético e do absurdo, para não perder o que pensamos que é vital para nós. Quando isto acontece, o indivíduo deixa de ser ele mesmo e passa a representar um papel que é muito diferente da sua verdadeira identidade, um personagem ilusório recheado de culpa e vitimismo que mais cedo ou mais tarde acabará sendo a causa de muita dor e sofrimento.

Tudo isso na tentativa de controlar e manipular o outro.

Como deverei me comportar para não perder isto que conquistei e penso que é fundamental para minha felicidade?

Como deverei me comportar para conquistar ou reconquistar certa pessoa?

Como deverei me comportar para que os demais me aceitem e gostem de mim?

Como deverei me comportar para que eu possa viver determinadas experiências?

Quando fazemos perguntas desta natureza, estamos diante de uma dependência emocional, consciente ou inconsciente.

Este tipo de comportamento cria um ambiente de estresse constante, um ambiente bastante propício para o surgimento das enfermidades e sintomas. Todos poderiam auto indagar-se em seus relacionamentos para saber se não estão vivendo uma dependência emocional.

Como perceber uma dependência emocional?

A dependência emocional é a incapacidade de cortar uma relação, ainda que seja emocionalmente e não fisicamente, nos casos onde o senso comum diz que não há como seguir adiante.

Algumas perguntas podem ajudar muito você perceber se está caindo nesta armadilha:

  • Me sinto incapaz de renunciar ao meu parceiro, mesmo que algumas vezes pense que não sou feliz ou que não estou com a pessoa certa?
  • Me dou conta de que meu filho não me trata bem, porém, sigo me esforçando para que ele não me deixe?
  • Me esforço para mudar a mim mesma e converter-me naquilo que minha família deseja, para que me aceitem?
  • Me sinto mal na relação, porém sigo acreditando que um dia meu parceiro irá mudar e converter-se no príncipe encantado dos meus sonhos?
  • Percebo a quantidade de problemas que tenho com meus filhos, mas acredito que o grande amor que sinto por eles vai resolvê-los?

Encontramos muitos pessoas prisioneiras destas circunstâncias disfuncionais, que usam um discurso justificativo para permanecerem nestas situações:

“Sem ele não posso viver”

“E se eu não encontrar outro?”

“Me sacrifico por ele porque o amo”

“Ele é um homem bom”

“É pelo bem dos meus filhos”

“Desde que o conheci sou a mulher mais feliz do mundo”

Estas afirmações partem de crenças irracionais que estão passando de pai para filho há muitas gerações sem que ninguém as conteste ou, no mínimo, reflita sobre elas.

São as repetições hipnóticas que tanto nos custa reconhecer e compreender, para aceitar que todas as circunstâncias da vida são oportunidades para praticar o perdão genuíno que consiste em não ver mais o erro no outro.

Há pessoas que vivem relações de violência por décadas e se justificam com: “É que ele é o pai dos meus filhos”.

Isto é apego! Isto é vício! Isto é dependência emocional!

A auto-indagação perguntaria: este é o exemplo de homem que você quer dar aos seus filhos?

O desapego portanto é um estado de coerência emocional e de paz interior que surge com a compreensão de que a experiência que estou vivendo não é por casualidade, má sorte ou porque é a cruz que Deus me deu para carregar. Estou vivendo-a porque tem a ver comigo, com minhas questões familiares inconscientes e toda culpa que está esperando pelo perdão.

As dependências emocionais sempre se baseiam em dar para obter, porque pensamos que não temos o suficiente e que não somos bons o bastante para ser merecedores do que há de melhor. Estamos constantemente criticando a nós mesmos, acreditando que poderíamos ter feito de outra maneira melhor.

O princípio de toda a dependência emocional

Utilizando a metáfora do “pecado original”, quando Deus encontra Adão este lhe diz:

Eva me levou a fazê-lo.

Quando Deus encontra com Eva, ela lhe diz:

Senhor, a serpente me levou a fazê-lo.

Assim surgiu a projeção (projetar a culpa) e o desenvolvimento do ego. Assim também foi criado um esporte mundial conhecido de todos, que é o vício de atribuir culpa aos demais sem assumir a responsabilidade por nossos pensamentos, atos e omissões.

A origem de todos os vícios é o julgamento! Estamos viciados em julgar!

Sem julgamento não haveria a possibilidade de experimentar a separação. A crença na separação faz com que haja escolhas, as escolhas implicam em projeção de culpa, e assim, em um ciclo sem fim.

A primeira separação foi o pecado original de Adão e Eva. Desta separação surge a segunda separação, Caim e Abel, e assim fomos nos fragmentando de tal forma que acabamos nos perdemos nessa fragmentação a ponto de não saber mais quem somos.

Na realidade, estamos apenas jogando um jogo de não ser o que somos, para ao final, reconhecer o que somos. O despertar humano é tomar consciência! É como um “reset” um começar de novo.

É como dizer: “ah! agora já sei como mudar isto, já sei o que tenho que mudar, é o meu pensamento.”

Se mudarmos a forma de pensar estaremos mudando a informação de culpa. E o caminho é através do perdão, que não tem nada a ver com o perdão ao qual estamos acostumados. Estamos acostumados com um perdão falso, da boca para fora. Este tipo de perdão é acreditar que alguém me ofendeu e, por eu ser uma pessoa muito boa, lhe concedo o perdão.

Isto obviamente não é um ato de amor, e sim de sacrifício.

A culpa que cada pessoa sente, consciente ou inconscientemente, é projetada sobre os demais perpetuando o ciclo sem fim das dependências emocionais. Quando culpamos alguém, qual é nossa verdadeira intenção?

Manipulação!

Quando conseguimos fazer com que o outro se sinta culpado, dominamos sua vontade. É uma forma eficiente de fazer o outro nos obedecer e conseguir que ele faça o que estamos lhe dizendo.

Somos capazes de dizer coisas como: “eu não pedi para nascer”. Que intenção se esconde nessa afirmação?

A essência da culpa é o vitimismo, o pior vício que existe. O “ai pobre de mim” é um verdadeiro vampirismo energético que faria Drácula parecer um aprendiz de feiticeiro.

As pessoas que se fazem de vítimas são como verdadeiros buracos negros sugando energia do entorno, fazendo os demais sentirem-se culpados. Estas pessoas emitem uma vibração muito pobre que se chama “pena”.

Como acreditamos que não temos o suficiente, buscamos pessoas que preencham nossos vazios existenciais. Aqui começam as histórias muito conhecidas de todos como, por exemplo, a busca do príncipe azul, ou a busca da outra metade da laranja.

A partir do vitimismo surgem as necessidades que buscamos satisfazer com “certas pessoas”. Aqui surgem as relações interpessoais cujas características são acreditar que o outro nos dará aquilo que pensamos nos faltar ou acreditar que o outro deve fazer aquilo que nós gostaríamos que ele fizesse.

A dependência emocional nos relacionamentos

A primeira relação de dependência emocional que encontramos é entre homens e mulheres. A segunda relação de dependência emocional é entre mães e filhos. Os pais ou homens estão em segundo plano nesta história. E não precisa se ofender, pois, explicaremos daqui a pouco o por quê.
A primeira relação (homem/mulher) sempre condiciona a segunda.

A relação que uma mulher tem com seu marido determina o tipo de relação que esta mulher terá com seus filhos, porque biologicamente falando, os filhos pertencem à mãe. Além disso, emocionalmente estão vinculados a ela em um binômio mãe/filho inseparável até no mínimo 3 anos.
Assim como seja a relação homem/mulher, será a relação mãe/filho, mãe/filha.

Aqui cabe recordar que não existem culpados, tudo é perfeito aos olhos da Criação.

Um Curso Em Milagres (UCEM) nos diz que em cada situação, cada pessoa desempenha o papel que lhe cabe. Para uma vítima nada mais perfeito que um carrasco!

Todas as relações de dependência emocional se manifestam de duas maneiras., uma por um excesso de positivo, que seria a abundância afetiva e a outra por excesso de negativo, representado pela carência afetiva.

A carência afetiva costuma ser entre mãe e filha e a abundância afetiva costuma ser entre mãe e filho. Isto não é uma regra, são estatísticas. Genericamente falando, o excesso de negativo costuma acontecer quando uma mulher vive uma experiência de não sentir-se querida ou protegida por seu marido. Nesta situação, se tem uma filha há uma rejeição e se tem um filho há uma sobre proteção.

Evidentemente, existem níveis de tolerância para estas situações.

Quando há carência afetiva (mãe/filha) é comum encontrar os chamados transtornos alimentares e quando se trata da abundância afetiva encontramos os viciados em álcool, fumo, drogas, jogos, sexo, entre outros.

Algumas vezes acontece de não haver um homem na família. Nesses casos, a mãe projeta a sobre proteção na filha, circunstância em que há um excesso de positivo, como em toda sobre proteção.

As características fundamentais nas relações de dependência emocional entre mães e filhos são pai ausente e mãe muito presente. O pai ausente a ausência física da figura paterna e também aqueles homens que, mesmo estando em casa, é como se não estivessem presentes para as mulheres e filhos.

Por outro lado, existem homens que, mesmo estando sempre viajando, sua presença é sentida pela mulher e pelos filhos, que se sentem amados e protegidos. Tudo depende de como percebemos o entorno.

Na ausência do macho alfa, a fêmea projeta seus cuidados aos filhos, se é que os há. Na ausência de macho alfa as fêmeas normalmente se distanciam das fêmeas. A mente inconsciente apenas recebe a informação emocional de como a mãe vive esta ausência, nada mais, porque a mente inconsciente não julga. Não é o que acontece, e sim como se interpreta o acontecimento.

Aqui não se trata do determinismo de que as coisas sempre são assim ou assado, estamos falando de generalidades. As dependências são a forma mais invisível de violência.

A escritora e psicóloga Laura Gutman em seu best seller “Mulheres visíveis, mães invisíveis” nos diz que “todas as formas de violência são geradas pela falta de cuidados maternais, falta de afeto, qualidade de atenção, altruísmo, abraços, paciência, etc”.

Ela também nos fala que há violências ativas e passivas e que os violentos passivos tendem a viver com os violentos ativos, complementando-se como qualquer polaridade. Portanto, aquelas pessoas que vivem com alguém que exerce algum tipo de violência e permitem que isto ocorra repetidamente, estão cometendo uma forma de violência que é passiva por certo, mas nem por isso menos violenta.

Dito de outra forma, se um homem bate em uma mulher uma vez, pode ter sido circunstancial. Mas, se bate a segunda vez, que esta mulher se prepare, porque ele vai bater a terceira e, pode até chegar a pensar que ela goste da apanhar.

Como se expressam nossas dependências emocionais?

Quando eu aceito meu poder divino e compreendo que estou criando e vivendo minha realidade pessoal, me conscientizo, sem nenhuma sombra de dúvida, que quem tem que mudar sou eu.

O sentimento que alimenta a violência é a frustração. As mulheres quando se sentem frustradas tem uma tendência a tornarem-se submissas, enquanto os homens quando se sentem frustrados tem a tendência de passar à ação. Ela se cala e ele atua.

Todas as dependências emocionais são condutas violentas e sempre contra si mesmo. Existem várias formas de expressá-las, como as condutas auto-destrutivas, colocando a própria vida em risco, através do alcoolismo, das drogas ou dos transtornos alimentares. A pessoa está buscando destruir a si mesma.

Outra forma são as condutas que buscam a destruição através dos outros como, por exemplo, mediante o cuidado excessivo aos demais, deixando de viver sua própria vida.

Como exemplo, podemos citar as mulheres que se sentem obrigadas a cuidar de seus pais, embora muitas vezes sintam raiva deles. O tema aqui não é cuidar ou não cuidar dos pais, e sim o obrigar-se a fazer o que não quer, frequentemente descuidando de sua própria família.

Quando isto acontece, a pessoa está em um estado hipnótico de “tenho que”.

Todas as dependências emocionais se expressam pela mesma lei: “Eu quero que os demais me queiram como eu gostaria que eles me quisessem”, e se alimentam de crenças irracionais baseadas em “tenho que”.

A emoção que as sustenta é o medo, o sentimento de solidão e ausência, de não saber viver sem o outro. Como dissemos anteriormente trata-se do pensamento original, ou “pecado original” que se baseia na crença de que estamos separados da Divindade, na crença de que é possível estar só. Todos nós podemos nos sentir sós, mas estar só é impossível!

Um exemplo clássico são os filhos que vivem se queixando de seus pais, porém sempre estão atentos à mínima demanda deles. Estas pessoas pensam que estão prisioneiras de seus pais quando na realidade são elas que os estão mantendo prisioneiros. Na verdade, estão demandando inconscientemente que seus pais dêem aquilo que elas pensam que tem que receber.

Seus pais, inconscientemente, recebem esta informação e se sentem culpados, como se estivessem fazendo coisas mal feitas, ou cometendo erros.
A mente inconsciente reconhece estas inter-relações de dependência emocional. Isto é uma inversão completa de pensamento e só pode ser compreendida com um olhar neutro, isento de culpa ou de vitimismo.

Este tema é muito abrangente e longo, porém aqui estamos tratando o assunto de uma forma simplificada.

O caminho é o perdão genuíno

Toda dependência emocional é um vazio de si mesmo. Por isso, quando nos sentimos vazios nos tornamos buracos negros, e por muito que recebemos, absorvemos tudo e continuamos sentindo o vazio, algo que produz um esgotamento físico e mental por nunca estar satisfeito, além de esgotar aqueles que estão ao lado.

Observem seus excessos, todo excesso é uma carência de algo.

Agora vamos transcender tudo isso, vamos deixar de jogar o jogo da culpa e do vitimismo, de que isto está bem e aquilo está mal, que a culpa é do meu pai que era um violento alcoólatra, que foi por culpa da minha mãe que não me deu atenção, etc.

Os demais são sempre espelhos, neles vemos nossas luzes e nossas sombras. Quando formos capazes de superar uma situação integrando em nós a informação contida na experiência, já não seremos impactados com as mesmas emoções, ainda que continuemos nos relacionando com as mesmas pessoas.

O campo quântico está constantemente trabalhando para nos dar circunstâncias repetitivas para que possamos perdoar.
UCEM nos diz: “aquilo que você chama de provas, não são provas, porque Deus não necessita delas. São circunstâncias que lhe foram enviadas para que você exerça seu poder de perdoar e possa seguir em frente.

Dito de outra forma: aquilo que você não perdoa, seguirá se repetindo uma e outra vez. Lembrando que estamos falando do perdão genuíno.
Nisargadatta Maharaj nos diz que todo sofrimento é uma chamada à auto indagação e que toda dor merece ser investigada. Para isso devemos estar em um estado constante de auto indagação, que é a observação de si mesmo, sem julgamentos.

Esperamos que nossas mães nos amem como nós gostaríamos que elas nos amassem, porém, elas nos amam à sua maneira, porque é como sabem amar. Talvez porque não tenham recebido amor de suas mães, talvez porque tenham se sentido muito descuidadas ou tenham sido abandonadas, porém isto não significa que não nos amem, apenas não o fazem como gostaríamos que fizessem.

Quando começamos a compreender que estas condutas demonstram dependências emocionais, podemos liberar nossas mães deste tipo de vício que adquirimos e, através de um gesto de amor, conquistar a liberdade emocional, deixando de querer que as coisas sejam como nós gostaríamos que elas fossem.

Podemos agradecer, pois, de uma maneira ou de outra, foram estes os pais que nos trouxeram ao mundo e até aqui, para que compreendêssemos este exato momento de transformação pessoal que estamos vivendo.

Compreender a nossa mãe nos leva a compreender todas as mães.

Se tudo começou com Adão e Eva, ou melhor, se tudo começou com um homem e uma mulher, quando perdoamos e compreendemos nossas mães, nos colocando na pele delas, estaremos liberando da culpa todas as gerações que nos antecederam até chegar em Adão e Eva.

Ser mãe é um dos papeis mais duros que existem, e os homens deveriam, no mínimo, compreender que ter um filho muda muda para sempre a vida da mulher. Isso não acontece com os homens, embora hoje em dia os homens tem melhorado muito nesta compreensão.

Se você quiser saber mais, na prática, como se livrar da dependência emocional e também como resolver outros conflitos emocionais que podem estar afetando sua saúde, participe da minha próxima Palestra Presencial em São Paulo, no dia 06 de abril. 

Você entenderá como funciona o método do Gerenciamento BioEmocional e poderá tirar todas as suas dúvidas diretamente comigo!

Clique AQUI para saber os detalhes. Será um prazer ter você lá.

2 Comentários
  • Lediana
    Postado às 10:57h, 25 setembro Responder

    Moro com o filho adotivo d 28 anos mas ele não se adequa as regras da casa e a relação está difícil pq sofro dependência emocional muito forte .minha terapeuta diz q no momento a saída será eu morar só e mandar ele embora mesmo ele estando desempregado. Qual conselho?

  • Carlos Veiga Jr
    Postado às 11:54h, 12 novembro Responder

    Penso que sua relação com seu filho adotivo é a expressão (projeção) de outras relações suas que não estão curadas, Se vc mandar seu filho embora de casa sem curar os traumas e dramas que antecederam a chegada dele, o que vai acontecer é mais culpa e remorso. É necessário identificar quais bloqueios estão em vc para que vc possa tomar uma decisão baseada em compaixão e compreensão. Sugiro uma consulta pessoal.

Postar Comentário