Controlar a ansiedade: desafio da atualidade | Dr. Carlos Veiga Jr.
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combater a ansiedade

Controlar a ansiedade: o desafio dos tempos modernos

Controlar a ansiedade é o maior desafio da atualidade. Ela é um mal que acomete uma grande parte da sociedade, se configurando quase como uma epidemia. Ela está por todos os lados, contaminando a todas as pessoas, independente de classe social, cultura, raça, padrão econômico ou idade.

Segundo o Google, o mundo hoje produz em dois dias mais informação do que recebia um imperador romano durante toda sua vida.

Isto nos beneficia de muitas formas, porém nos incomoda de outras.

Parece insano ter obrigação a estar atentos a tudo, sem perder nada. A sensação é que qualquer coisa que nos escape pode ser fatal. Parece que nossa vida depende da nossa capacidade de absorver informação.

Como o estresse nos impede de controlar a ansiedade

Esta busca incessante por informação gera um estresse constante que nos impede de controlar a ansiedade. Afinal, para que serve tanta informação? Para nos antecipar aos fatos? Criar estratégias de defesa? Ou nos previnir dos perigos do futuro?

Na prática a ansiedade é um excesso de futuro, uma paranóia de antecipação, como se pudéssemos usar todo nosso banco de dados (memória) para nos proteger.

Todas as circunstâncias que experimentamos contém a exata informação que necessitamos para enfrentá-las. A informação é parte do evento, não é necessário buscá-la, muito menos recorrer à memória como se nas recordações estivesse a solução.

Todas as situações que enfrentamos são únicas, frescas, inéditas e absolutamente novas. Mesmo que sejam muito parecidas ou próximas daquelas que experimentamos no passado, jamais serão as mesmas.

Afinal, como todo mundo sabe, a água que passa debaixo da ponte nunca mais volta.

Cada novo segundo é uma nova experiência, mas a mente funciona como um pêndulo que nunca para no centro, oscilando constantemente entre dois extremos igualmente ilusórios, o passado e o futuro.

A ansiedade tem suas raízes fincadas justamente aí, neste tempo perdido.

O poder do agora: vigiar sem antecipar

A vida só acontece no agora, é o único momento que existe, todos os números do relógio poderiam ser substituídos pela palavra “agora”, que horas são? Resposta: agora!

Todavia a mente pendula, buscando recorrer ao passado para antecipar o futuro. Nesse movimento, se esquece de prestar atenção ao que está acontecendo neste preciso instante.

A maneira mais eficiente de combater a ansiedade é colocar a mente/ego, esta voz que fala constantemente na nossa cabeça, para executar sua única função que é prestar atenção ao entorno.

Esta é a função da mente, vigiar sem antecipar.

Os animais fazem exatamente isso. Por exemplo, uma gazela foge quando detecta um leão se aproximando. Em sua fuga a frequência cardíaca sobe, sua capacidade respiratória aumenta, suas pupilas se dilatam, aumenta o número de linfócitos no sangue  (células de defesa) etc.

Porém, quando já está segura em algum lugar, tendo despistado o leão, todo seu organismo se recupera do estresse voltando ao seu estado normal.

Os seres humanos, ao contrário, depois de uma experiência estressante fazem questão de continuar se conectando ao fato ocorrido. Seja pensando “quase me alcançou!” ou “e se, por acaso”.

Ao manter o pensamento na experiência passada, nosso organismo segue dando uma resposta fisiológica tal como se ainda estivéssemos em risco.

Controlando o mecanismo de luta e fuga

Tomar consciência da origem da nossa reação é o primeiro passo para que nosso corpo possa recuperar o equilíbrio.

Infelizmente, não é o que fazemos, pois, a mente segue dando ordens para recordar o drama em uma tentativa paranóica de se precaver, imaginando que possa usar informações passadas para aplicá-las a situações nunca antes vividas.

Deixar ir aquilo que exigiu de nós um estresse é tão importante como o próprio estresse vivido. Naquele momento em que havia uma ameaça real o estresse nos ajudou a escapar. No entanto, agora, que o perigo real passou, ele corre o risco de nos matar, pouco a pouco.

O sistema adreno-corticotrófico está preparado para despejar grandes quantidades dos hormônios adrenalina e noradrenalina na corrente sanguínea, frente a situações de perigo.

Quando o cérebro reconhece uma fonte de ameaça, ainda que não seja real, mantém ativado esse sistema, mantendo o corpo preparado para lutar ou fugir.

Nesse processo, todos os outros sistemas se paralisam, pois, escapar é a prioridade máxima. Não adiantaria cicatrizar uma ferida na perna de uma gazela em fuga se o leão a alcançasse.

Nosso corpo está projetado para receber, metabolizar e atuar no sentido da luta-fuga, porém, a natureza não previu estresses de longa duração.

O que acontece é que nosso inconsciente biológico não sabe distinguir entre real e ilusório. Se eu penso no leão é porque ele está alí, logo a ameaça é real, ainda que não exista nenhum leão naquele momento.

O estresse só tem utilidade biológica em um único momento, o agora. Fora disso, ele é altamente corrosivo e desnecessário.

Como fazer para controlar a ansiedade?

Nesse contexto, a ansiedade pode ser controlada se treinarmos nossa mente para identificar as ameaças reais e as ilusórias. É essencial saber diferenciar aquilo que está acontecendo do medo de que algo venha a acontecer.

Este medo gera uma necessidade fisiológica de adaptação, a respiração se torna curta, o sangue das vísceras é sequestrado para irrigar os braços e pernas, parece que nos falta ar. É o corpo sendo preparado para lutar ou fugir. Mas, como nada disso acontecerá, todo sistema se mantém ocupado com uma ilusão.

Quando treinamos a mente para permanecer ativa na sua função reconhecemos facilmente quando o medo não é real, quando ele é fruto da imaginação.

A ansiedade é uma antecipação sem sentido e pode ser controlada. Para isso, é necessário desenvolver a disciplina na observação e a determinação de não sofrer por algo que não está acontecendo.

Nas palavras de Mark Twain  “Já sofri por muitas coisas em minha vida, a maioria delas nunca existiu”

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