Carnaval | Dr. Carlos Veiga Jr.
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festa do carnaval

A sua fantasia de Carnaval será a mesma que usa na sua vida?

A sua fantasia de Carnaval será a mesma que usa na sua vida?

Não se sabe bem ao certo a origem do carnaval, alguns acreditam que tenha surgido na Grécia, uns 500 anos antes de Cristo. Outros acreditam que remonte a tempos ainda mais distantes, na antiga Mesopotâmia, também conhecida como Babilônia, região entre os rios Tigres e Eufrates.

Há muitas outras teorias para explicar onde e como surgiu tal festa que acontece em muitos países, notadamente no Brasil.

Todavia, há um ponto em comum entre tais teorias e autores: o fato de que o carnaval, suas pinturas, desenhos e representações, mostram as pessoas com algum tipo de máscaras, disfarces ou fantasias, representando outros papéis e, em muitas oportunidades, interpretando uma inversão de papéis. 

Reis sendo humilhados na frente dos súditos, para posteriormente assumir o reinado novamente, prisioneiros que assumiam a figura do rei para depois serem enforcados e, a mais comum de todas as formas de inversão, a do homem fazendo-se de mulher, e as mulheres de homens, como se buscássemos inconscientemente um equilíbrio entre o feminino e o masculino existentes em cada um. 

Carl G.Jung nos falava sobre Animus o aspecto feminino presente em todos os homens, e Anima, o aspecto masculino de qualquer mulher, as duas polaridades com as quais todos nós, quando crianças, usamos para nos adaptar a este mundo dual (Yin/Yang). 

Passados muitos séculos da criação desta festa, hoje em nosso país o que podemos observar é a mesma subversão de papéis durante os dias nos quais se experimenta o reinado de Momo.

Ainda que nem todos usem máscaras ou fantasias, o que fica evidente é a auto-permissão para expressar outra personalidade, como se os indivíduos se dessem a liberação, eliminando alguns filtros sociais, para poder, temporariamente, ser outras pessoas, pelo uso de roupas, sexo, álcool ou outras drogas, tudo em excesso.

Para que os excessos no Carnaval?

Quando estamos diante de qualquer excesso, sabemos que aí se escondem ordens hipnóticas, recebidas intra útero, ou na infância; evidentemente, da Fonte mais próxima, nossa mãe e por tabela o pai.

Nos primeiros anos da vida, o cérebro trabalha em faixas de frequência mais lentas que quando nos tornamos adultos. As crianças, até mais ou menos seis anos, usam apenas as ondas Alfa, Theta e Delta, portanto estão literalmente em estado constante de hipnose. Em resumo, fomos hipnotizados por nossos pais, que não sabiam que estavam nos hipnotizando com suas crenças e formas de perceber a vida, da mesma forma que eles foram hipnotizados por nossos avós, e assim por diante.

Somos Seres sem forma que decidimos experimentar o mundo das formas, um mundo onde tudo aparenta estar separado, pessoas, objetos e coisas. Para que isto fosse possível, como criadores que somos, precisamos utilizar um sistema de crenças coerente com a experiência da separação, um sistema de pensamento onde cada indivíduo reconhece os limites do seu corpo como estando isolado do resto universo; falso obviamente, porque o universo é um todo indivisível, mas perfeito para efeito da experiência que projetamos. Saímos por vontade própria da experiência de “unidade/um” para experimentar a “dualidade/dois”. 

A Consciência em estado puro (sem forma), envia uma parte de sua vibração para experimentar o mundo das formas. São sondas biológicas para explorar mundos mais densos e universos polarizados, tudo para adquirir experiência e evoluir como espíritos que somos, experiência que cada consciência experimenta como sendo um ponto de vista exclusivo da Fonte De Tudo Que Há. 

Para nos adaptar a este tipo de mundo polarizado, criamos vários personagens, personalidades diferentes dependendo do local que frequentamos, uma persona para cada ambiente. É uma maneira segura de proteger-se: pertencer a diversos grupos.

Vamos lembrar que das savanas da África de onde viemos, não morávamos apenas com a família, vivíamos em tribos, e assim estávamos protegidos por muitas pessoas ao mesmo tempo. Temos gravado a ferro e fogo na nossa neurologia que um mamífero que é colocado para fora do grupo, esquecido, perdido, ou enfermo, está vulnerável, e as hienas se encarregam de que não veja o nascer do sol.

Pertencer é sinônimo de sobreviver para nossa mente inconsciente e para nossa biologia. 

O significado das máscaras

Persona significa máscara. A palavra vem do teatro grego, onde cada personagem utilizava uma máscara para construir seu personagem. A palavra personagem, por sua vez, surgiu da palavra persona. Em latim, per-sona que dizer através do som.

A persona é como se fosse um papel para interpretarmos de acordo com as conveniências do momento, para que possamos nos relacionar com os outros, é o que eu digo e penso que sou, em cada circunstância.

Carl G. Jung percebeu que nós agimos de maneira diferente em cada ambiente social para ser aceitos, para pertencer ao grupo, o que nos obrigava a nos adaptar dependendo da circunstância. É fácil perceber que criamos vários papéis ao longo da vida, para pertencer aos mais variados grupos e ambientes que frequentamos.

Representamos personagens muito diferentes ao longo do dia, em uma espécie de “esquizofrenia controlada” procurando convencer aos outros e a nós mesmos de temos uma personalidade, quando, na realidade, não passa de representação de papéis.

Diversas máscaras auxiliam o individuo, pois a vida exige diversas adaptações, elas estão a serviço da individualização e da dualidade, é a forma de experimentar o mundo do “certo e errado”, do “bem e do mal”, uma forma eficaz de perpetuar a sensação de separação. É justamente a crença na separação, que nos afasta definitivamente da verdadeira essência do que somos, a unidade indivisível da Fonte Criadora e, assim estão criadas as condições para a experiência que vivemos.

As máscaras simbolizam os rostos que usamos para o encontro com o mundo que nos cerca. No carnaval, caem algumas e sobem outras.

São dias de festa em que muitos se permitem representar outros papéis e se comportar de outra forma, usar outras personas, abolindo alguns critérios de comportamento habituais. Retiram-se alguns filtros psíquicos para poder expressar-se sem medo do julgamento alheio.

E, no Carnaval vale tudo?

Não seria aceitável ao ilustre cavalheiro de terno e gravata ir ao trabalho vestindo apenas calcinha e sutiã, assim como não caberia aquela mãe de família dedicada, vestir-se com roupa de cabaré; mas, no carnaval vale tudo. 

É uma válvula de escape da prisão mental que cada um cria para si, é como escapar dos personagens centrais, muito úteis durante o ano todo, uma liberação psíquica que conduz a outras liberações, o sexo, é só uma delas. 

Toda esta necessidade de liberação tem a ver com o que foi reprimido na infância enquanto éramos pura intensidade. 

Tudo era explosão, gritos, correria, brincadeiras, muitas risadas e muito choro. Mas crescemos, nos tornamos adultos, e não fica bem correr, ao invés de andar, gritar para falar com os amigos ou chorar para conseguir o que queremos. Fomos orientados a reprimir instintos, fantasias, riscos, excessos, ideias, experiências, e muitas outras coisas, sem que tivéssemos sequer experimentado, como era nossa vontade. 

Chega o momento em que podemos trocar de máscara e liberar toda esta intensidade reprimida. Obviamente que este tipo de coisa acaba em excessos justamente porque se trata da projeção da intensidade.

“A persona é um complicado sistema de relação entre a consciência individual e a sociedade; é uma máscara destinada, por um lado, a produzir um determinado efeito de convencimento sobre os outros e por outro lado a ocultar a verdadeira natureza do indivíduo e sua sombra, a parte escura de qualquer pessoa que insistimos em negar, aquilo que condenamos nos demais, em maior ou menor grau. Os espelhos que encontramos durante o dia não refletem imagens  exatamente iguais a nós, são nuances e tonalidades, próprias em intensidade, na exata medida do que necessitamos aprender.

Ao longo da vida muitas máscaras serão colocadas, muitas personas serão usadas. Faz parte do processo de individualização reconhecer as máscaras de cada momento, trocá-las quando achar necessário, desfrutar delas sem identificar-se com elas.

O carnaval é uma festa onde escondemos uma face de nós para mostrar outra, está bem assim, brincar faz parte da criança que vive em cada um. 

Todavia, terminados estes dias de liberação psíquica, que se feitos com moderação podem ser bem divertidos, podemos reconhecer aquilo que há de mais individual em nós, aquilo que ninguém pode copiar, nenhuma máscara poderá esconder, pois é único e exclusivo, a essência do Ser, a unidade da qual fazemos parte, a divindade de cada um. Jamais conseguiremos ser perfeitos na forma, este mundo não é para isso, mas como almas e espíritos a perfeição é o que somos, eternamente Amém! 

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