Para que as pessoas cometem Bullying - Carlos Veiga JR.
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bullying

Para que as pessoas cometem Bullying

Bullying

Bullying é uma palavra de origem anglo-saxônica que poderia ser traduzida para o português por “assédio moral e ou físico continuado, maltrato psicológico constante à crianças por parte de uma ou várias pessoas de seu entorno escolar ou social”.

Normalmente praticado por crianças da mesma idade ou pouco mais velhas e em grande parte dos casos, acaba causando a exclusão social de um indivíduo.

O assunto expõe a parte escura da sociedade, algo que não queremos ver, Carl G. Jung chamou de sombra, neste caso não se trata da sombra pessoal e sim da coletiva.

O maltrato estabelece uma relação entre vítima e agressor na qual o primeiro pode sofrer graves consequências psicológicas como resultado de incapacidade de gerenciar a situação à nível emocional.

Há várias modalidades de bullying e quase sempre acontecem de forma simultânea.

Físico: tapas, socos, pontapés e empurrões, inclusive agressões com objetos.

Verbal: ameaças, humilhações públicas, referências a defeitos físicos, etc.

A “vítima” vai se sentindo cada vez menos adequada ao ambiente e cada vez mais envergonhada de si mesmo ou de sua auto-imagem.

Social: atitudes que tem como objetivo isolar a criança do resto do grupo.

Cibernético: através das redes sociais.

Que acontece na cabeça da “vítima” do bullying?

Pode ser que a criança não queira pedir ajuda, que se sinta incapaz ou envergonhada de encontrar a solução por si mesmo, ou de não ser capaz de gerenciar o conflito.

A partir dos 7 a 8 anos as crianças entram em um processo de desenvolvimento no qual necessitam encontrar-se consigo mesmos e criar uma identidade diferenciada de seus pais.

Esta situação se acentua bastante quando se trata de um pré adolescente na faixa dos 12 anos entrando na puberdade.

Quando este tipo de maltrato acontece nesta faixa etária há um impulso inconsciente da criança em tentar encontrar a solução por si mesmo, melhor dizendo, de não incluir seus pais na “batalha”, necessita sentir-se adulto e acaba sentindo-se de incapaz.

Aos 12 anos a criança já deve ter estruturada uma personalidade que lhe permita relacionar-se com os demais de uma forma mais ou menos efetiva, se isto não acontece, o entorno acaba assumindo este papel de mostrar que parte de si mesmo ainda não está desenvolvida, e normalmente o faz em forma de um inimigo.

Todos necessitamos desenvolver a psiquê para nos tornarmos adultos e este processo se faz mediante a interação social.

Nas palavras de Goethe: “nossos amigos nos ensinam o que podemos fazer, e nossos inimigos o que devemos fazer.

Para entender melhor o que Goethe disse vamos nos colocar no papel daquele que molesta, o agressor.

O que motiva o bullying?

Normalmente o medo, justamente o medo da mesma exclusão social que está impondo ao outro, o medo de não formar parte de um grupo ou de perder a liderança.

É através destas atitudes que ele se sente acolhido e reconhecido pelo grupo, a maneira que encontra de sentir-se bem ou especial, o que obviamente não se justifica, aqui estamos vendo a situação desde um ponto de vista neutro, sem julgamentos, a única forma de poder compreender o que se passa.

Por outro lado, é interessante e curioso observar como as “vítimas” podem apresentar um padrão de liderança na “sombra”, quer dizer: os que sofreram este tipo de coisa na infância podem tornar-se pessoas de grande êxito profissional quando adultos.

Em um nível primitivo de relações muito básicas, a criança que promove os maus tratos é consciente da personalidade marcante e da força da “vítima”, o que o leva a atacar, com a finalidade de não ser ele o excluído. 

No gerenciamento deste tipo de conflitos a maioria dos pais e educadores tende a atuar com dureza em relação ao agressor, e empatia com relação ao que sofre, porém, ambos necessitam compreensão em um ponto determinado, ambos necessitam disciplina e limites.

Em seu inconsciente estas crianças buscam ações contundentes, não desde a crueldade, mas sim desde a coerência e da compaixão, podemos ser assertivos e pontuais ao invés de cairmos na esteira comum dos julgamentos, condenações e posicionamentos, assumindo que um está certo e o outro errado.

Tudo tem o seu “para que”, nas palavras de UCEM: “em cada circunstância cada um desempenha o papel que lhe cabe na consecução da mesma”, tudo é perfeito aos olhos da Mente Criadora. UCEM também nos diz que devemos bendizer aqueles que nos seguram o espelho sem o qual jamais poderíamos conhecer a parte oculta de nós mesmos.

Observemos com atenção e isenção as duas características mais comuns que diferenciam a “vítima” do “carrasco” nos casos de bullying. Cada um pode aprender algo muito valioso do outro.

Como sempre, o universo todo tende ao equilíbrio, motivo pelo qual estamos sempre tratando de duas energias complementares, como pólos positivo e negativo.

Quem sabe, a falta de empatia do agressor sirva para ensinar o que sofre a atuar com mais poder resolutivo e assertividade, uma forma efetiva de reafirmar categoricamente sua personalidade sem necessitar constantemente de seus pais ou amigos.

Normalmente vemos este tipo de atitude como algo distante, que acontece fora de nós, e apontamos como únicos culpados os que agem desta forma, porém, o que este tipo de atitude tem a revelar sobre nós como sociedade?

No caso do agressor, acaso não estará nos mostrando algo?, quem sabe, o nosso medo de empatizar com os demais, ou nossa incapacidade de gerenciar nossas relações de um modo mais profundo e adulto?

Vítima ou agressor, qualquer dos dois que esteja disposto a se colocar no lugar do seu “inimigo” terá dado um passo gigante no seu processo de autoconhecimento.

E como pais, que podemos fazer?

Como pais, educadores ou qualquer pessoa envolvida em casos de bullying, ou maus tratos em ambiente escolar, podemos ter claro que será o nosso posicionamento a chave para levar a situação a uma direção ou outra.

Em uma sociedade adulto, construída desde as bases da solidariedade, que se preocupa verdadeiramente pelo estado emocional de seus indivíduos, serão gerados projetos para evitar este tipo de situação.

Este é o caso da Finlândia com o método Kiva, que coloca o foco de atenção não só nos envolvidos, mas nos observadores passivos do bullying, quer dizer, aos alunos que de algum modo estimulam ou se omitem nestes casos.

Na Finlândia eles já se deram conta de que nas situações de conflito a responsabilidade não é só de duas pessoas, nem de duas famílias.

Todos temos algo a ver com tudo que nos cerca, todos são responsáveis de alguma forma. Nossa reação frente a esta afirmação irá revelar muito do que se esconde nos porões da nossa psiquê que nunca são visitados, a sombra que rejeitamos de nós mesmos e que teima em se mostrar projetada nos demais.

A memória das atrocidades cometidas por nossos antepassados está vivas no nosso inconsciente esperando pelo perdão.

O compromisso com uma sociedade melhor começa com o envolvimento de todos os seus componentes em um ambiente de neutralidade onde há compreensão do papel que cada um desempenha e representa, onde não há vítimas nem carrascos.

As crianças envolvidas nestes conflitos de bullying estão refletindo uma parte da sombra coletiva que sempre aparece para nos dar oportunidades, ou para seguir apontando para fora, colorindo as coisas de boas ou más, perpetuando o que não desejamos, ou para nos unirmos na criação de um futuro melhor.

Como disse Wendell Berry novelista norte americano “A violência gera violência. Os atos de violência praticados em nome da justiça, na afirmação dos direitos, ou em defesa da paz, não acabam com a violência, apenas preparam e justificam sua continuação.

 

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