A sua criança interior está sofrendo? - Carlos Veiga JR.
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criança interior

A sua criança interior está sofrendo?

Quando nós olhamos para os dramas, conflitos e os sintomas físicos que experimentamos hoje, não levamos em consideração nossa criança interior. Ela existe em função das nossas histórias de criança.

São os primeiros e mais importantes anos da nossa vida, entre zero e cinco anos.

Os momentos em que nós estávamos absorvendo como esponjas e sem filtros toda informação que nos foi dada.

Informações transmitidas pelos nossos pais em forma de comportamentos, exemplos, palavras, por vezes gritos e muita violência.

E também informações que os nossos avós e bisavós transmitiram aos nossos pais, para que isso pudesse não ir mais adiante.

Já nos esquecemos destes tenros momentos. Eles se vão no tempo, sequer existem, nem mesmo como recordações. Não fazem parte da nossa memória cognitiva. É como se nunca tivessem existido.

Mas existiram e estão gravados a ferro e fogo na nossa Neurologia. São informações que estão armazenadas no mais profundo da nossa mente inconsciente.

Estão ali esperando por uma solução.

Muitos de nós passamos por maus momentos quando éramos crianças. Sofremos principalmente pela falta de afeto, a falta de contato físico e a falta da presença dos nossos pais.

É possível que os nossos pais estivessem ocupados em horas e horas de trabalhos e compromissos?

Eles nos deram atenção ou não foi possível?

Eles trabalhavam de 8 da manhã às 8 da noite enfrentando medos e dificuldades financeiras?

Eles, por acaso, pensavam em se separar quando nos conceberam?

Eles pensaram em abortar? Estavam arrependidos de algo?

Será que se sentiram culpados?

Será que nós fomos desejados com o sexo que temos?

Eles acreditavam em si mesmo ou foi um casamento arranjado?

Confiavam um no outro ou havia desconfiança?

Estavam juntos por obrigação ou por conveniência?

Em que tipo de ambiente emocional nossos pais nos conceberam? Nós fomos desejados ou fomos produtos de um acidente?

Havia, por exemplo, um local adequado ou os nossos pais estavam vivendo na casa de seus pais?

Talvez estas sejam as perguntas mais importantes das nossas vidas, porque foram os momentos que poderiam condicionar toda a nossa vida adulta.

E a maioria de nós não tem nenhuma idéia a esse respeito.

Existe sim uma tendência natural dos nossos pais e dos nossos avós de esconder qualquer coisa que tenha representado uma vergonha ou um sofrimento, principalmente para proteger a imagem da família.

No entanto, esta é uma tentativa totalmente inútil, porque tudo acaba saindo à luz, todos os dramas e dores guardados no nosso inconsciente buscam a solução através de repetições e, por fim, tudo acaba sendo revelado através das circunstâncias que os descendentes experimentam como se fosse algo inédito.

Mas não é. É uma reedição.

Isto não faz nenhum sentido quando nós tentamos solucionar, hoje, um drama, mas faz todo sentido em termos evolutivos.

Por essa razão é que está ali nos porões da nossa mente inconsciente, esperando o momento adequado para ser projetado na tela do mundo naquilo que nós chamamos de “realidade externa”.

Essas projeções acabam condicionando nossas atitudes, condicionando nossas escolhas, condicionado nossa vida, nos fazendo como escravos repetidores dessas histórias, que hoje são como desenhos borrados, imagens desfocadas, vagas lembranças ou lembrança nenhuma.

Poucas crianças tiveram o que necessitavam.

A primeira coisa que uma criança necessita quando está formando seu intelecto é ser observada. As crianças antes de mais nada necessitam ser vistas.

Não serem vistas como querem seus pais ou como desejam que elas sejam. A criança deseja ser vista exatamente como ela é.

Cada um de nós é um indivíduo diferente, nasce com seu próprio talento.

E se esse talento não for visto, se esse dom não for reconhecido pelos nossos pais, quando nós nos tornamos adultos podemos nos perder, nos encontrar em momentos com uma sensação e não valer nada.

Um vazio existencial, que é algo que muitas pessoas experimentam em algum momento da sua vida.

Não me viram, não prestaram atenção em mim. Prestaram atenção ao que queriam de mim criaram expectativas a meu respeito. Prestaram atenção ao que os agradasse, que os cuidasse, que eu fosse o que eles não conseguiram ser e coisas desse gênero.

Circunstâncias como estas condicionam toda nossa vida adulta e nós poderíamos passar por muitas angústias para sermos vistos buscando reconhecimento, por exemplo, ou buscando aprovação.

Porém, no mais íntimo do nosso ser, essa música é contraditória, porque inconscientemente nós sentimos que não merecemos ser vistos. Procuramos contentar e honrar aos nossos pais que não puderam, não quiseram ou não souberam nos olhar.

Isso não é racional.

É urgente desfazer o mito de que os nossos pais amam seus filhos de forma Incondicional. Este pensamento gera muita culpa, uma culpa absolutamente desnecessária, porque por vezes, de fato, um filho pode ser um grande estorvo na vida dos seus pais.

Pode chegar em um momento, por exemplo, de que há uma suspeita de traição. Os pais, por exemplo, poderiam querer abortar e não foi possível.

Um filho pode chegar no momento de dificuldades econômicas, pode chegar sem ser desejado, produto quem sabe, por exemplo, de um abuso, ou mesmo de uma violação, mesmo que seja dentro do matrimônio.

Talvez tenha sido concebido no momento de muita raiva, em uma relação sexual que a mãe não desejava naquele dia, porque estava irritada ou com raiva do pai ou em muitas outras circunstâncias nas quais, para os nossos pais, teria sido melhor que a nossa mãe não tivesse engravidado.

Podemos, por exemplo, ser produto de um desejo do nosso pai que queria um menino e eu sou uma menina e então quando sou adulta, ao menstruar, dar à luz ou amamentar inconscientemente significa me separar do meu pai. E isto o inconsciente não suporta.

Essas informações são gravadas de forma definitiva, são ordens hipnóticas na mente, são totalmente inconscientes, não fazem nenhum sentido a nossa mente racional.

E o contrário também pode acontecer, queria uma menina e nós somos um menino, nos vestiram com roupas de menina, já tínhamos inclusive nome de menina, nosso quarto já era todo cor-de-rosa e aí quando nós somos adultos, podemos ter problemas com a nossa sexualidade.

Essas e tantas outras circunstâncias inapropriadas fazem parte do nosso dia a dia, são milhões de casos e quantos de nós não somos essas crianças? Agora, nós poderíamos nos perguntar, como reverter essas situações? É possível revertê-las?

Sim, a resposta é sim.

De fato, estas circunstâncias trágicas podem ser vistas como bênçãos para aqueles indivíduos que compreendem qual é a sua função aqui na terra. E a sua função aqui na Terra é livrar-se da culpa limpando a memória do clã familiar através do Perdão Genuíno, que significa compreender que não há nada a perdoar.

Desta forma, a criança em você já pode receber uma mensagem diferente, uma interpretação alinhada com a compaixão e com a coerência, que vem do futuro, como se um sábio viesse do futuro e dissesse a essa criança: fique tranquila, eu venho do futuro para te dizer que tudo vai acabar bem.

Agora essa criança já pode respirar aliviada, já pode nascer em paz, já pode crescer em paz.

Bert Hellinger, o criador das constelações familiares, diz o seguinte: os sofrimentos familiares são como elos de uma corrente que se repetem de geração em geração, até que um indivíduo tome consciência e transforme a maldição em benção.

Para que estejamos aptos a fazer essa transformação, cada um de nós, cada indivíduo, necessita em primeiro lugar confiar na mente divina e saber, sem sombra de dúvidas, que tudo é perfeito aos olhos da criação.

O certo e o errado não existem, são apenas conceitos humanos nascidos de um pensamento de separação ilusório.

O que chamamos de erros são apenas oportunidades de aprendizado, oferecidas por quem erra para aquele que percebe o erro. Sem esses equívocos, não seria possível eliminar a culpa.

Neste sentido, Um Curso em Milagres nos diz que nós só poderemos ver a nossa impecabilidade, se nós formos capazes de ver a impecabilidade dos nossos irmãos.

Vivemos em um universo reflexivo para que cada indivíduo possa ver no outro a sua parte que rejeita e esconde. Sem esses espelhos seria impossível fazer as correções.

Em segundo lugar, para dar este salto, é imperativo assumir definitivamente a responsabilidade de cada um pela sua própria experiência de vida.

Quando falamos em assumir a responsabilidade estamos falando em assumir 100% da responsabilidade, não 99%.

Cada evento ou pessoa que vem na nossa direção é exatamente o que o campo quântico ou a inteligência cósmica, Universo, Deus ou seja lá o nome que você queira dar, é exatamente o que tem reservado para o nosso aprendizado.

Vem como a única coisa que poderia ter vindo, é a sabedoria que muitos mestres que já passaram por aqui como Buda, Jesus e tantos outros já nos ensinam a Milênios.

Em terceiro lugar, é necessário desfazer-se das limitações impostas a respeito de si mesmo como, por exemplo, o conceito de felicidade. Significa que a pessoa que quer elevar seu nível de consciência deve ter claro em sua mente que ela não é o que pensa que é.

O que cada um pensa a respeito de si mesmo é só uma opção. A pessoa deve ter claro que nós somos seres com infinitas possibilidades, seres em construção, nós somos um gerúndio por assim dizer de alguma maneira.

Indivíduos livres emocionalmente jamais definem a si mesmos dizendo “eu sou assim, eu sou assado”.

Porque aquilo que você pensa a respeito de si mesmo não é a verdade. Definir a si mesmo é cair em uma armadilha, é aprisionar-se em seus próprios pensamentos como se eles fossem a verdade, apenas porque foram pensados por você.

Por fim, se você deseja ir mais além do sofrimento que está experimentando e do sofrimento que está impondo aos seus descendentes de forma inconsciente, libertando a si mesmo destas auto imposições e armadilhas mentais, faça a si mesmo uma pergunta:

Eu quero ser a paz?

Se a resposta for um sonoro e definitivo sim, perceba que os seus pensamentos não querem paz.

Seus pensamentos são críticas e rejeições, julgamentos e condenações. Então, pergunte se em cada instante da sua vida, quem eu quero ser diante desta circunstância.

Eu quero ser a paz ou eu quero escutar os meus pensamentos e críticas e ataques?

Uma mente livre jamais se ocupa de dizer aos demais porque eles devem ou não devem fazer.

Uma mente livre sabe que nada acontece por acaso, tudo tem o seu para que, e se tudo tem o seu para que, então tudo se transforma em experiência de aprendizado. E os ataques mentais então passam a não fazer mais sentido e a criança dentro de você já pode parar de sofrer.

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